Economia Sem Segredos
Campanha da Fraternidade
- 4/3/2010
O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é Economia e Vida. O objetivo é levar à sociedade a consciência de que o sistema capitalista, tal como funciona atualmente, é excludente, aprofundando, portanto, as desigualdades sociais, aumentando a distância entre os mais ricos e os mais pobres.
Para diminuir as desigualdades, a proposta é repensar políticas fiscais, com a imposição mais justa de tributos e progressiva (quem ganha mais, paga mais); acompanhar e fiscalizar a dívida pública; adotar políticas de distribuição de renda. Outro ponto da Campanha é a disciplina para um consumo responsável, sem exageros, sem supérfluos.
Acho interessante a discussão! Muitos questionam se esse é um tema a ser tratado pela Igreja. E por que não? Afinal, trata-se de uma importante instituição da sociedade moderna.
Não vejo a economia nem o sistema de capitalista de produção como males em si mesmos. O que me parece sério e que merece, sim, ser questionado é a maneira como as ferramentas e políticas econômicas são tratadas.
Devo lembrar que a Economia é uma ciência humana e, como tal, depende da reação dos agentes econômicos que somos nós, os consumidores e produtores dos diversos bens e serviços, que tomamos decisões a todo momento em nossas vidas: o que comprar, por que comprar, onde trabalhar, o que estudar, apenas para colocar alguns exemplos.
O sistema capitalista de produção é, por sua natureza, excludente. Na medida em que a produtividade do sistema cresce, a partir da adoção de novas tecnologias, novas máquinas, novos equipamentos, novos conhecimentos, menos mão-se-obra se faz necessária, no sentido quantitativo da mesma. Não se precisa mais de milhares de trabalhadores, mas apenas de alguns que, com os conhecimentos corretos e com o nível técnico desejado, executem as tarefas que, anteriormente, era executada por milhares.
A produção capitalista funciona assim: alguns poucos são os donos dos meios de produção, das máquinas, dos equipamentos, das fábricas; milhares são detentores de mão-de-obra, cuja força será vendida para os capitalistas que a combinarão com as máquinas e equipamentos e produzirão bens e serviços para serem consumidos por todos nós, agentes econômicos.
Assim, a função, o objetivo das políticas econômicas deveria ser garantir o acesso das diversas camadas da população aos diversos bens e serviços. Se existe a preocupação de equidade, as políticas devem ser feitas para propiciar à sociedade como um todo a possibilidade de consumir os bens produzidos pelo sistema de produção capitalista. Daí, a necessidade de políticas de distribuição de renda, da cobrança mais justa de impostos, de políticas sociais específicas para determinados segmentos, de políticas educacionais que incluam os sujeitos na sociedade.
Muito louvável a contribuição da Campanha da Fraternidade ao discutir a Economia como parte da vida da sociedade!! E, partindo da Igreja, o número de pessoas atingidas pela discussão é muito grande, de maneira que, acredito, ajudará a construir um mundo mais justo, mais digno e mais fraterno!! Isso também é Economia!!
Até a próxima!!
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